Queridos amigos, deixo aqui um abraço de profundo lamento pela forma com que foi conduzida toda a questão que envolveu a saída do Sábado de Sol, momentaneamente, dos palcos que o fizeram nascer e se tornar uma das referências de muitas crianças, jovens e adultos. Mas parece que existem ainda pessoas aptas a julgar os outros, em nome de um que dizia: "não julgueis para não serdes julgados". Faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço. Parafraseando sempre o mesmo Jesus, "Pai, perdoai-os, eles não sabem o que fazem!".
Um sonho... Uma chegada... Uma dúvida... Todas as esperanças.
Um sonho... Uma chegada... Uma dúvida... Todas as esperanças.
Chovia como há muito não se via nesta seca cidade de São Paulo, vinda de um outono, e em pleno inverno.
A avenida Morumbi, quase que completamente deserta naquela noite, em alta madrugada, dava medo para quem caminhava sozinho, acompanhado apenas por um carrinho de mão onde estava depositado um notebook com todas as suas informações relevantes.
O guarda-chuva preto, apesar de enorme, não dava conta do temporal que vinha de todos os lados, causando redemoinhos como se a cidade estivesse sendo invadida por sacis.
Naquele trecho, de quem sobe da Marginal para o Palácio dos Bandeirantes, as calçadas pareciam estar em reformas. Todas elas. Ou se andava por degraus enormes e grande quantidade de lama, ou se arriscava pelo meio da rua, com os carros passando em alta velocidade, como se isso protegesse ainda mais seus condutores.
Subindo pela avenida, o pensamento estava focado em se chegar à casa daquela mulher. Na verdade, um apartamento. Uma cobertura em algum ponto do bairro mais emblemático da classe “A” paulistana, mas que, ironicamente, convive com a segunda maior comunidade carente da cidade: Paraisópolis.
Desesperado... A cena corta para a chegada à porta apartamento.
Desgrenhado... Molhado... Sujo... Estenuado, bate à porta, mesmo sem nem ter que se identificar na portaria daquela mansão vertical.
A porta se abre e uma linda e charmosa mulher lhe fita os olhos, com uma expressão de quem já aguardava a visita esquisita...
A pergunta dela é clara, sem nem querer saber quem lhe importunava:
- O que você deseja? – Ela fala...
E completamente cansado da batalha, ele cai na real.
Não sabe o que deseja!
Este foi literalmente um sonho sonhado, e guardado em detalhes em algum lugar daquilo que achamos ser nossa memória. O cara atordoado, é lógico, sou eu. Um atordoado de carteirinha.
Desde então, me pergunto: o que desejo?
Numa aula, no mesmo dia que acordei do sonho, para uma classe do 2º ano do Curso Básico de Espiritismo que ministro na Seara Bendita (minha casa espiritual), conto esse sonho para ilustrar o tema “Perfeição moral – Conhecimento de si mesmo”.
Uma de minhas alunas (uma beijóka para a Bióca) cita a música que ora você ouve apenas instrumentalmente.
Agora, aí embaixo,
Você a ouve, com letra e tradução e tente se conhecer melhor.
Quem sabe, você descobre onde está indo.
E, se chegando lá, perceber que é um bom caminho pra mim também, por favor, não deixe de me avisar.
Tem hora pra tudo: hora pra começar, hora pra acabar.
E viva a Lei de Destruição!!!
Tem gente que tem medo da morte. Essas pessoas são normais. Afinal quem não tem um mínino de receio daquilo que não temos certeza como é? Ter medo da morte é salutar para manter a vida até o ponto que ela seja necessária ou, diriam outros, desejada.
Se você parar para pensar com cuidado vai perceber que, como quase tudo no universo, o conceito de “vida” só existe porque existe o conceito de “morte”, ou seja, é como se a uma não pudesse existir sem que houvesse a sua própria negação. Mais ou menos como “claro” e “escuro”...
Ora, você só consegue explicar o “claro” para quem sabe o que é o “escuro”. E vice-versa (que é outro paradigma de contrários).
Morrer faz parte da vida.
Seria muito chato se, eternamente, você soubesse que seja lá o que você fizer, o dia seguinte não será nada mais do que a continuação do dia que se foi. Já assistiu ao filme “Feitiço do Tempo”? Conhece a história do “Dia da Marmota”? Vá no Google e pesquise porque não vou parar o que estou escrevendo para explicar...
Eu diria que morrer é a confirmação que você esteve vivo.
Siga esse diálogo:
“-Coitadinho... Ele morreu!!! Comenta alguém para outro alguém.
-Morreu? Sinal que ele estava vivo. Responde o outro alguém para o alguém.
Faz sentido (penso eu).
-Como assim? Diz de novo alguém, e complementa: - Se ele não tivesse morrido continuaria vivo.
-É verdade, mas nunca daria importância a isso. Perpetra o outro alguém.”
E sou obrigado a ser repetitivo: faz sentido.
Uma das condições para que o Universo permaneça através dos tempos é a sua condição pendular.
Se tudo estivesse sempre em perfeito equilíbrio, nada existiria porque as coisas se auto-anulariam. O que vale é a tentativa... A busca pelo equilíbrio. E, de vez em quando, a gente passa por ele. Dá um “oi” e volta a se distanciar dele até que chega a hora de retornar (olha o pêndulo).
Se algo não chega a um fim é porque não está completo. Não estando completo, está inacabado. Estando inacabado, nunca fará sentido. Mas a Criação faz sentido. E. para fazer sentido, as coisas precisam sim ter um fim. E, quando acabam, se transformam.
A Lei de Destruição nada mais é do que a constatação de Antoine Laurent Lavoisier: “Na natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma”. As coisas só se renovam porque envelhecem. Só renascem porque morrem. Você só chora porque sabe o que é estar alegre. Você só ama porque sabe a dor da indiferença.
E durma-se com um barulho desses, né não Jane Duboc?
Que Outro Dia Amanheça
Jane Duboc
Composição: Edson / Terezinha Fagá
Antes de fechar a porta e ir embora, Não me venha dizer que está levando tudo Que deseja deixar. Pegue o seu medo e tristeza, E escreva nas páginas do livro, Deixado em cima da mesa, E não se esqueça, É preciso que um dia se vá, Pra que outro dia amanheça.
Não se esbarre na louça, E repare no jardim, As plantas subindo pro sol. Nunca deixe de cantar à brisa, E de voltar quando queira. Não perca a altura do vôo, Nem se desvaneça. O tempo é concreto, E se você tem pressa, Não perca a cabeça. É preciso que um dia se vá, Pra que outro dia amanheça.
Algumas pessoas passam por nossas vidas e nos marcam de forma definitiva.
Não são muitas.
As contamos nos dedos.
A Bia, que me enviou o texto abaixo, é uma dessas pessoas que entrou no meu coração e, como diria Luiz Ayrão, "chegou... tomou conta da casa... fez o que bem quis e saiu... bateu as portas do meu coração, que nunca mais se abriu".
Lógico que a música é muito mais melancólica do que a realidade.
Mas nós, os sensíveis, somos assim mesmo: apaixonados pelas pessoas, pelos nossos sonhos e por tudo que a vida oferece.
E a vida é assim Gonzaguinha: É bonita. É bonita. E é bonita!!!
Um beijo pra Bióca, de quem te ama muito.
Nós... Os Sensíveis...
Nós, os sensíveis, temos a luz brilhando dentro de nós.
A nossa sabedoria muitas vezes pode ser confundida com a loucura por pessoas de mentira... por aquelas pessoas que vivem presas a um mundo automático.
Nós, os sentimentais, os alquimistas, os arrependidos pelos erros,
os filhos amados que foram deixados pra trás num deserto... os que têm fé inabalável, os sonhadores.
Os loucos de amor muitas vezes já fomos considerados as ovelhas negras da família... mas os nossos sentimentos profundos como o mar... nos transformaram, aos poucos,
em cordeiros mansos que pastam felizes pelos campos verdes...
Dentro de nós ardem paixões interiores
capazes de derreter qualquer geleira. Nós já morremos incontáveis vezes...
já renascemos outras tantas mais fortes,
mais determinados em encontrar a nossa felicidade.
Nós, os sensíveis, somos invencíveis pelas lágrimas e...
imbatíveis pelo sorriso... Muitos de nós, os sensíveis,
carregamos na alma e até nos corpos,
marcas da nossa paixão pela vida. Do mais fraco ao mais forte, do mais bonito ao mais feio. Não somos medidos pela nossa formosura ou pela grandeza
do nosso corpo... mas somos admirados pelo poder do nosso coração,
pela força que emanamos de dentro de nosso olhar. ...e as pessoas de mentira ficam sem entender como nós, os sensíveis, conseguimos ter tanto poder!
Nós os sensíveis estamos aqui para fazer a diferença.
Ninguém nos conhece pela superfície... mas pela profundidade de nossos bons pensamentos. Não somos santos...mas somos anjos.
Não somos perfeitos...
mas é na nossa imperfeição que mostramos nossas maiores virtudes. Não é pela casca que queremos ser conhecidos.
Queremos um relacionamento íntimo com tudo e com todos que nos cercam. Podemos errar...fracassar em quase tudo,
mas jamais fracassaremos como seres humanos.
Somos incompreendidos,
porque muitas vezes não sabemos expressar quem somos de verdade. Ainda que o nosso corpo envelheça e fique doente...
nada pode tocar o coração de um sensível
senão a mão do Supremo Criador.
Nós, os sensíveis... mesmo de longe nos juntamos em espírito
num coral para cantar uma canção que curará toda pessoa de mentira. Por alguns instantes o mundo parará para ouvir o nosso canto,
e se apaziguará por alguns poucos momentos... E por alguns momentos elas também vão ser sensíveis como nós...
quando perceberem que no rosto do outro
está o espelho de sua própria face.
Nós, os sensíveis, temos o dom de sentir o que os outros sentem... de traduzir seus pensamentos porque nosso coração capta
o que os outros corações transmitem... Mas nós somos uma brasa viva no meio da neve...
ou um oásis o meio do deserto.
Estamos aqui para mostrar aos outros
que a alma existe...
e que a matéria passará.
Mas que temos vida para todo o sempre. Somos donos da sabedoria universal.
Acreditamos num Deus comum a todos seres humanos.
Num Deus que habita todas as religiões.
Num abraço do sensível está a graça do Universo. Nós, os sensíveis, somos os mensageiros da eternidade...
Desejo primeiro que você ame, E que amando, também seja amado. E que se não for, seja breve em esquecer. E que esquecendo, não guarde mágoa. Desejo, pois, que não seja assim, Mas se for, saiba ser sem desesperar. Desejo também que tenha amigos, Que mesmo maus e inconseqüentes, Sejam corajosos e fiéis, E que pelo menos num deles Você possa confiar sem duvidar. E porque a vida é assim, Desejo ainda que você tenha inimigos. Nem muitos, nem poucos, Mas na medida exata para que, algumas vezes, Você se interpele a respeito De suas próprias certezas. E que entre eles, haja pelo menos um que seja justo, Para que você não se sinta demasiado seguro. Desejo depois que você seja útil, Mas não insubstituível. E que nos maus momentos, Quando não restar mais nada, Essa utilidade seja suficiente para manter você de pé. Desejo ainda que você seja tolerante, Não com os que erram pouco, porque isso é fácil, Mas com os que erram muito e irremediavelmente, E que fazendo bom uso dessa tolerância, Você sirva de exemplo aos outros. Desejo que você, sendo jovem, Não amadureça depressa demais, E que sendo maduro, não insista em rejuvenescer E que sendo velho, não se dedique ao desespero. Porque cada idade tem o seu prazer e a sua dor e É preciso deixar que eles escorram por entre nós. Desejo por sinal que você seja triste, Não o ano todo, mas apenas um dia. Mas que nesse dia descubra Que o riso diário é bom, O riso habitual é insosso e o riso constante é insano. Desejo que você descubra , Com o máximo de urgência, Acima e a respeito de tudo, que existem oprimidos, Injustiçados e infelizes, e que estão à sua volta. Desejo ainda que você afague um gato, Alimente um cuco e ouça o joão-de-barro Erguer triunfante o seu canto matinal Porque, assim, você se sentirá bem por nada. Desejo também que você plante uma semente, Por mais minúscula que seja, E acompanhe o seu crescimento, Para que você saiba de quantas Muitas vidas é feita uma árvore. Desejo, outrossim, que você tenha dinheiro, Porque é preciso ser prático. E que pelo menos uma vez por ano Coloque um pouco dele Na sua frente e diga `Isso é meu`, Só para que fique bem claro quem é o dono de quem. Desejo também que nenhum de seus afetos morra, Por ele e por você, Mas que se morrer, você possa chorar Sem se lamentar e sofrer sem se culpar. Desejo por fim que você sendo homem, Tenha uma boa mulher, E que sendo mulher, Tenha um bom homem E que se amem hoje, amanhã e nos dias seguintes, E quando estiverem exaustos e sorridentes, Ainda haja amor para recomeçar. E se tudo isso acontecer, Não tenho mais nada a te desejar.
Pra você, Litle Carol, com um beijo de quem te adora.
Elegância
(Adaptação de trecho do livro "A Educação Enferruja por Falta de Uso",
do pintor pós-impressionista francês
Henri Marie Raymonde de Toulouse Lautrec Monfa)
Existe uma coisa difícil de ser ensinada e que, talvez por isso, esteja cada vez mais rara: a elegância do comportamento. É um dom que vai muito além do uso correto dos talheres e que abrange bem mais do que dizer um simples obrigado diante de uma gentileza.
É a elegância que nos acompanha da primeira hora da manhã até à hora de dormir e que se manifesta nas situações mais prosaicas, quando não há festa alguma nem fotógrafos por perto. É uma elegância desobrigada.
É possível detectá-la nas pessoas que elogiam mais do que criticam. Nas pessoas que escutam mais do que falam. E quando falam, passam longe da fofoca, das pequenas maldades ampliadas no boca a boca.
É possível detectá-la nas pessoas que não usam um tom superior de voz ao se dirigir a frentistas.
Nas pessoas que evitam assuntos constrangedores porque não sentem prazer em humilhar os outros.
É possível detectá-la em pessoas pontuais.
Elegante é quem demonstra interesse por assuntos que desconhece, é quem presenteia fora das datas festivas, é quem cumpre o que promete e, ao receber uma ligação, não recomenda à secretária que pergunte antes quem está falando e só depois manda dizer se está ou não está.
Oferecer flores é sempre elegante.
É elegante não ficar espaçoso demais.
É elegante você fazer algo por alguém, e este alguém jamais saber o que você teve que se arrebentar para o fazer...
É elegante não mudar seu estilo apenas para se adaptar ao outro.
É muito elegante não falar de dinheiro em bate-papos informais.
É elegante retribuir carinho e solidariedade.
É elegante o silêncio, diante de uma rejeição....
Sobrenome, jóias e nariz empinado não substituem a elegância do gesto.
Não há livro que ensine alguém a ter uma visão generosa do mundo, a estar nele de uma forma não arrogante.
É elegante a gentileza... atitudes gentis falam mais que mil imagens...
Abrir a porta para alguém... é muito elegante.
Dar o lugar para alguém sentar... é muito elegante.
Sorrir, sempre é muito elegante e faz um bem danado para a alma...
Oferecer ajuda... é muito elegante.
Olhar nos olhos ao conversar, é essencialmente elegante.
Pode-se tentar capturar esta delicadeza natural pela observação, mas tentar imitá-la é improdutivo. A saída é desenvolver em si mesmo a arte de conviver que independe de status social: é só pedir licencinha para o nosso lado brucutu, que acha que "com amigo não tem que ter estas frescuras".
Se os amigos não merecem uma certa cordialidade, os inimigos é que não irão desfrutá-la.
Na fruta aberta e consumida, ainda resta a semente
A fruta aberta
Thiago de Mello
Agora sei quem sou. Sou pouco, mas sei muito, porque sei o poder imenso que morava comigo, mas adormecido como um peixe grande no fundo escuro e silencioso do rio e que hoje é como uma árvore plantada bem alta no meio da minha vida.
Agora sei as coisa como são. Sei porque a água escorre meiga e porque acalanto é o seu ruído na noite estrelada que se deita no chão da nova casa. Agora sei as coisas poderosas que valem dentro de um homem.
Aprendi contigo, amada. Aprendi com a tua beleza, com a macia beleza de tuas mãos, teus longos dedos de pétalas de prata, a ternura oceânica do teu olhar, verde de todas as cores e sem nenhum horizonte; com tua pele fresca e enluarada, a tua infância permanente, tua sabedoria fabulária brilhando distraída no teu rosto.
Grandes coisas simples aprendi contigo, com o teu parentesco com os mitos mais terrestres, com as espigas douradas no vento, com as chuvas de verão e com as linhas da minha mão. Contigo aprendi que o amor reparte mas sobretudo acrescenta, e a cada instante mais aprendo com o teu jeito de andar pela cidade como se caminhasses de mãos dadas com o ar, com o teu gosto de erva molhada, com a luz dos teus dentes, tuas delicadezas secretas, a alegria do teu amor maravilhado, e com a tua voz radiosa que sai da tua boca inesperada como um arco-íris partindo ao meio e unindo os extremos da vida, e mostrando a verdade como uma fruta aberta.